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AO SUL DE LUGAR NENHUM PDF

Monday, May 27, 2019


Impacto de um ciclone de categoria 4 na parte norte da região Sul. 9 Ecossistemas de corais ao longo da costa oriental de África .. do aumento do nível médio das águas do mar e nenhum . de ser transferido para um lugar mais seguro. 10s Serviqos de Agricultura e ~irsc~"ao Nacional de Estradas e. Instituto do Trabalho .. Trata-se, em primeiro lugar, de urn aspect0 fundamental da histbria vincias actuais a sul do Save - Inhambane, Gaza e Maputo - os efeitos foi feito nenhum cstudo detalhado sobre os rnGtodos de recrutamento. Condado de Galliza ao norte, de Coimbra ao sul do Douro, sarracenos ao sul do .. geognosticas de Portugal tambem o Tejo póde dar lugar a uma divisão em .. Nenhum traço profundo distingue a nossa geographia; benigno, médio ou.


Ao Sul De Lugar Nenhum Pdf

Author:COLLETTE SPANGENBERG
Language:English, Spanish, Arabic
Country:Cambodia
Genre:Art
Pages:421
Published (Last):12.02.2016
ISBN:196-4-25502-666-9
ePub File Size:20.31 MB
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Tabela 9: Indicadores de género nos órgãos legislativos ao nível nacional e . no º lugar de um total de no Índice de Desigualdade de Género do . justificado pelo alto nível de migração masculina para a vizinha África do Sul. . ocupados por mulheres, não se traduziu em nenhum documento vinculador. Devo mencionar que lugar de bicho é na natureza, mas eles precisam de um . mas nos marsupiais sul-americanos ocorre apenas nas espécies de maior porte, da pelagem dorsal; mamas =4, sendo duas à direita, nenhuma ao. 2. o PLAno EstRAtÉGICo dE ACELERAÇÃo dA REsPostA Ao HIV E sIdA .. O nível mais alto de prevalência encontra-se no sul e o mais baixo, no norte .. Em , tiveram lugar encontros de aconselhamento e testagem. momento, não há nenhum programa de rastreio de rotina para Meningite Criptocócica.

Examine atentamente o sentido dessa frase. Exemplos: a Vi ontem uma estrela cadente. Pode ser denotativo ou conotativo.

Sentido denotativo. Sentido conotativo. Anda sempre de bicicleta. A menina anda desde os oito meses.

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O tempo anda depressa. Ela anda mesmo sem seu amor. De um animal fiz touros e vacas. Passemos a outro exemplo, agora com prefixos. Vamos entender. E aqui pode estar a origem de tudo.

Prometo voltar ao assunto. O Caso. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jan. Encontre-a, de modo que os dois sentidos sejam claros e distintos. Machado de Assis.

Geografia da Itália

Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 7. Processo a Direito I. Em certo momento, do nada, desembestou um forte tiroteio de ambos os lados em disputa que prosseguiu durante mais de duas horas. O confronto teria se iniciado no ponto A e, enquanto a armada francesa retornava para seu posto de desembarque Cabral seguia com seu grupo para a mata atras da igreja.

Ao final, o tragico resultado imprevisto. O tenente Lunier estava morto, algumas dezenas de moradores brasileiros e de soldados franceses tambem, alem de um grande numero de civis e militares feridos. Cabral escapou da prisao e fugiu para o manguezal. Nesse momento tenso da historia a versao dos acontecimentos sucedidos muda conforme o lado que faz a narrativa.

A armada francesa conseguiu alcancar uma das metas do piano. Originalmente cunhado para incriminar os revolutionaries socialistas e anarquistas, particularmente, essa acusacao tornou-se o grande motivo de confinamento e deportacao de anarquistas para os bagnes coloniais da Guiana e da Nova Caledonia, 29 na epoca dos grandes atentados.

Alem dessa acusacao padrao o procurador Paul Artaud tambem promoveu no inquerito aberto o crime de prisao de homem notavel Trajano e homicidio voluntario premeditado contra o tenente Lunier. Para essa ultima acusacao, valeu-se do relatorio do comandante das tropas na Guiana Francesa baseado na narrativa de marines que participaram da acao.

Segundo o relatorio do comandante, Cabral apareceu a uma distancia de uns vinte metros do capitao Lunier acompanhado de uma tropa de uns sessenta homens. Lunier foi o primeiro a tombar sem vida, e todos 28 Tribunal de le Instance de Caiana, ano Carton 37 Dossie D2 Dieudonne, Eugene, La vie des forgats, Paris, Gallimard, Cabral deu meia volta e fugiu com seus homens para dentro do mangue deixando a vila com a forte resistencia dos paisanos comandados por velhos oficiais brasileiros que atiravam indiscriminadamente nos marines por detras das janelas das casas.

O combate durou das 10 e meia as 13 horas ate que a ultima casa foi tomada e seu ultimo defensor morto. O comandante vangloriou-se no relatorio de ter tido apenas seis baixas enquanto contabilizaram sessenta mortes do lado do inimigo alem dos covardes que fugiram para o pantano. Quando foi publicada pelos jornais da colonia, essa versao oficial do Exercito provocou comocao no enterro do capitao Lunier e dos soldados realizado no dia 17 de maio. Alem dos mortos, houve outras 18 baixas de feridos entre os soldados, tres deles em estado grave.

A declaracao do chefe do Batalhao de Infantaria da Marinha atribuia completa responsabilidade ao Brasil nos fatos ocorridos em Amapa e reclamava ordens de Paris para uma ocupacao militar imediata de todo o territorio contestado. Nesse relatorio apresentava uma lista dos principals nomes seguidores de Cabral, encabecados pelo professor Joao Pereira, ja detido em Caiena. Alegava como prova da responsabilidade do governo brasileiro a remessa de dinheiro de Macapa para a fundacao da escola, acao promovida pelo Dr.

Tocantins, funcionario do governo do Para. Insinuava que as freqiientes idas de Cabral a Belem seriam para receber instrucoes e verbas do governo brasileiro para estabelecer o Governo Provisorio do Amapa. E concluia seu relatorio afirmando que o governo do Para tinha leis, ordens, inteligencia, servico de informacao e homens a disposicao para ocupar o territorio, e que a Franca nao poderia permanecer patetica, paralisada ante essa afronta.

O conteudo do texto do 30 comandante militar na Guiana era quase um pedido de declaracao de guerra ao Brasil. Nos autos do processo contra os prisioneiros brasileiros levados ate Caiena, consta a versao deles sobre o conflito.

Segundo Joao Pereira, no encontro entre os dois grupos rivais, Cabral recebeu voz de prisao sem que houvesse nenhum dialogo anterior entre as partes, tendo sido logo capturado pelos soldados da infantaria francesa. Mas, com um golpe, uma cotovelada, conseguiu se desvencilhar, pegando o revolver do capitao Lunier e atirando contra ele para escapar da prisao.

Depois, embrenhou-se com seus homens na floresta de mangue levando Trajano consigo enquanto comecava o tiroteio pela cidade. Alguns poucos civis brasileiros armados enfrentando um destacamento da infantaria da marinha francesa Ja, a noticia veiculada pelo Didrio de Noticias quando da chegada de Cabral em Belem trazendo Trajano como prisioneiro de guerra, nao fala de conflito, mas de um 32 verdadeiro massacre.

Afirma que um navio de guerra frances aportou em Amapa com cerca de a soldados a bordo e que uma centena deles desembarcou. Com Cabral, havia apenas 14 ou 15 homens armados na defesa da vila. Foi dada a ordem de prisao contra Cabral que obviamente nao a aceitou. Houve resistencia, Cabral atracou-se com o capitao frances e na luta foi disparado um tiro de pistola.

Conseguindo se livrar dos invasores, Cabral se refugiou numa residencia de onde comandou a resistencia civil a invasao armada estrangeira. Apos a inesperada reacao os soldados franceses revidaram de modo desproporcional a alguns tiros que teriam partido de dentro das casas, uma atitude de legitima defesa da parte de quern fora invadido. Essa reacao, que durou mais de duas horas, atingiu todas as residencias da vila de Amapa. Dossie Cabral. Ao final do confronto, contabilizaram-se 35 mortos sendo: dez mulheres assassinadas dentro de suas casas, duas delas segurando seus filhos pequenos no colo; tres velhos septuagenarios e um velho enfermo de oitenta anos; 17 homens com idades variando entre 16 e 65 anos; mais quatro criancas entre sete e 13 anos de idade; alem de 32 feridos durante o combate.

Quando de sua chegada a Belem, Cabral foi saudado com 33 vivas e tiros de foguete pela populacao. Em Paris, desde circulava um semanario intitulado Le Bresil, porta voz da comunidade brasileira residente na Franca.

Valendo-se das noticias chegadas do Brasil, a edicao foi bastante detalhista quanto aos danos materials provocados pela intervencao militar no Amapa. Seu objetivo era o de se opor ao discurso oficial propagado pela opiniao pubica francesa. Segundo o jornal, praticamente todas as casas comerciais haviam sido incendiadas ou saqueadas, provocando enormes prejuizos financeiros para a populacao local.

A casa comercial do portugues Manoel Branco, a maior de Amapa fora completamente destruida. Ele foi levado preso para Caiena e sua mulher, assassinada, deixando quatro criancas orfas. Outras duas casas foram parcialmente incendiadas e tiveram suas mercadorias saqueadas. Varias canoas da vila foram roubadas ou simplesmente quebradas para impedir qualquer reacao dos moradores. A escola e a casa onde residia o professor Joao Pereira tambem foram incendiadas.

E a residencia de Francisco da Veiga Cabral, como nao poderia deixar de ser, fora completamente saqueada tendo sido roubado o ouro e a prata que ele ali guardava: um prejuizo de Em resumo, o jornal apresentava uma lista de 21 casas incendiadas e outras 16 que estariam em situacao precaria. Para concluir questionou: quern fora a vitima e quern fora o agressor no conflito em Amapa? Na medida em que os danos humanos e materials comecaram a ser contabilizados, a reacao patriotica a morte de Lunier comecou a ser reavaliada.

Perez, o chefe das tropas na Guiana, contestou as noticias publicadas nos jornais brasileiros, afirmando serem caluniosas. A possibilidade de uma intervencao militar no Amapa foi descartada, mas a Franca nao admitiu outra versao que nao a oficial para os fatos ocorridos.

O governo frances procurou diminuir a acusacao do massacre, reclamando a morte de um oficial do Exercito em combate. Do lado brasileiro, o Barao de Marajo acusou o governador Charvein de ser um testa de ferro de um sindicato corporativo formado na Franca para a exploracao do ouro no Amapa. Para contornar essa situacao, em busca de uma solucao diplomatica para o caso, Charvein foi destituido do cargo e em seu lugar foi empossado outro governador, M.

Henri Dan el. O Tribunal de Caiena considerou improcedente a acusacao contra Daniel Ferro por ele nao ter agido de vontade propria - estaria sob as ordens de Cabral - e logo lhe concedeu alvara de soltura.

Em junho ja se tern noticias de Daniel em sua casa no Calcoene. Os outros tres prisioneiros continuaram detidos e permaneceram sob julgamento pelo envolvimento na morte de franceses em Amapa. Do outro lado, no dia 9 de junho, Madame Coudreau dirigiu-se ate Belem do Para para reclamar a soltura de Evaristo Raimundo, o encarregado da mina de ouro de sua propriedade no Cunani.

Ele fora capturado por sete homens armados enquanto pescava na goleta de um chines, que conseguiu escapar com seu barco.

A familia Coudreau sempre gozou de muito prestigio no Brasil e o governo paraense alegou um equivoco. A retaliacao contra o massacre em Amapa havia comecado. Evaristo fora levado para a vila de Amapa, porem nao ha noticias sobre sua futura libertacao. Em Cunani, contudo, eram os habitantes brasileiros do Contestado que se mostravam receosos em relacao a possiveis represalias dos garimpeiros da Guiana.

Daniel, por exemplo, em meados de julho fora preso em sua residencia a mando de Lourenco Gomes, alcunhado Baixa-mar, o homem do ouro no Cassipore, que o libertou apos ver o alvara de soltura da justica francesa.

Pouco depois, Daniel foi emboscado a tiros e viu-se obrigado a fugir para Belem. De seis a sete mil homens estariam circulando entre Cunani e Amapa em busca de ouro e, apos ter sido aberto um acesso por terra, estariam trazendo medo e incerteza a todos os agricultores e Pescadores brasileiros habitantes da regiao.

Reunidos, enviaram a seguinte peticao ao Governador do Para solicitando providencias urgentes: Desesperados os crioulos pelo reves de 15 de Maio, que fechou-lhes as portas do Amapa, sonho el-dorado, vingam-se covardemente nos brasileiros, Pescadores que procuram no rio Calsoene [Calcoene] abrigo para suas canoas de pesca. E preciso que o governo brasileiro tome providencias para garantir os brasileiros, maltratados pelos pretos de Cayenna [Caiena] impunemente; e nao vemos motivo nenhum para tanto escnipulo, quando ainda em 15 de Maio uma forca militar francesa massacrou a populacao indefesa do Amapa, saqueou-lhe as fazendas, incendiou-lhes as casas e conduziu prisioneiros para a cadeia de Cayenna, onde ainda sofrem todos os rigores de um governo despotico.

Se o governo brasileiro mostrar-se indiferente pela sorte de seus concidadaos residentes no contestado, esses crioulos confiados na impunidade, levarao mais longe os seus ataques, e talvez brevemente tenhamos de lamentar hecatombe mais horrorosa que a de 15 de Maio.

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O Didrio de Noticias continuou reclamando uma resposta sobre os tres homens detidos em Caiena: um portugues com quatro filhos abandonados a propria sorte; o professor de Amapa e seu ajudante.

O jornal perguntava pelo paradeiro, qual a situacao em que se encontrariam e se pelo menos teria havido providencias do governo brasileiro exigindo sua soltura.

Em julho, o jornal Provmcia do Para exaltava no trecho transcrito abaixo, a heroica resistencia oferecida por Cabral na defesa de um Amapa brasileiro enquanto se ridicularizava Trajano, o "preto por quern um oficial frances morreu". Pois este e que e o Trajano? O celebre membro da comissao de limites francesa?

Dira o leitor. E por este preto mal encarado, de pe descalco que a gente do Bengali trucidou tantos brasileiros?! Parece incrivel! Credula e iludida Franca!

Mas e exato. Eis ai o Trajano, por quem metade da Franca, por intermedio de seus jornais, geme de dor e de saudade. Mal sabe assinar o nome, e quanta a fidelidade do croqui podemos garantir que foi tirado d'apres nature, em casa de nosso conterraneo Cabral, a travessa da Queimada, onde Trajano acha-se aboletado com a familia Trajano nunca foi frances; nasceu em Curaca, e de la fugiu, como escravo, vai para trinta e cinco anos.

E um velhaco refinadissimo. Depois que apanhou-se em Counani [Cunani], fez-se homem livre e ajuntou ao nome de batismo, conforme se ve do fac- simile, o sobrenome Cypriano, ou Superiano como ele escreve, Bentes. A forca de ameacas casou-se em com uma rapariga counaniense, de 18 anos de idade, de nome Victoria. Quem o ve falar nao o leva preso. E de uma labia espantosa. Pa- uicnvd : Crfdiila eilludiJa France!

Uepoii que a iuiliou4fl em Coaiutni, Itz-ws humcm livre c ajuntou Uiicm u ve falar nig u iova pre so. En de una labia KflpantOfta. Chrutiad Itol Fcrrtipfl. H1 do am olbo, preto fatinto, e irial encarado. Em oito de agosto de , Cabral ja estava de volta a Amapa levando seus dois prisioneiros consigo, Trajano e Christino. Isso soou como uma ofensa para os franceses de Caiena, cuja missao militar fora justamente a de libertar Trajano e deter Cabral, uma missao em vao, com forte reves humano e diplomatico.

E agora?

Estava de volta o bandido em pele de heroi nacional brasileiro com os dois prisioneiros a tiracolo como se nada houvesse ocorrido. Para o nacionalista trances era uma clara afronta a patria, para a burguesia um risco aos seus empreendimentos. O Consul da Franca em Belem alertou para o clima nada amistoso contra a Franca que se formara no Para Reclamava a necessidade de solucao imediata do caso antes que houvesse um novo conflito. Defendia intransigentemente uma tomada de posicao energica do governo trances, com uma acao militar e policial na regiao do Contestado, pois lhe era inadmissivel a presenca e circulacao livre de um assassino de um oficial trances.

Com o retorno de Emilio Goeldi de sua viagem ao Amapa, a partir de dezembro de a impressao que o governo paraense e a imprensa passaram a ter sobre Cabral mudou. Goeldi, um cientista acima de qualquer suspeita, apos ter passado alguns dias na vila de Amapa, nao foi nada condescendente com as atitudes do tenente e de seus capangas, presumivelmente pistoleiros provindos em sua maioria do estado do Ceara: SG. Carton 36 D2 Os abusos, opressoes, vingancas pessoais e represalias cometidas por esta gente sao sem numero.

A populacao vive debaixo de uma tirania nojenta e percebi desde as primeiras horas sintomas serios de descontentamento, de oposicao. Nao ha uma pessoa, fora do circulo da familia e da roda de Cabral, que vive satisfeita e nao se queixe das duras contribuicoes de guerra, que a toda hora sao exigidas em forma de servicos manuais gratuitos, expedicao em canoa, rezes do campo37?

Fi irii. JS10 pura spm chefe maior Goeldi transmitiu uma pessima imagem da roda de jaguncos que circundava Cabral, mas se omitiu na avaliacao pessoal do Hder. E concluiu recomendando que se empregassem no Amapa somente as verbas estritamente necessarias, pois temia pelo desvio desse dinheiro para os interesses pessoais do bando seguidor de Cabral, enquanto nao se definisse a arbitragem sobre o territorio.

Em contrapartida, Goeldi fez muitos elogios ao que chamou de governador do Cunani, Jose da Luz Sereja. Segundo Francinete Cardoso, o diretor do Museu Paraense fez uma distincao entre os interesses nacionais, em prol da grandeza da patria, que movimentariam as acoes de Sereja no Cunani, daqueles meramente oportunistas e individualistas que seriam os objetivos imediatos de exploracao das riquezas minerals do grupo de pessoas 38 envolvidas com Cabral.

Durante todo o ano de , houve uma ampla troca de correspondencia entre os adidos do Ministerio dos Negocios Estrangeiros da Franca com a Embaixada da Franca em Petropolis e desta com o Ministerio das Relacoes Exteriores, personalizado na figura de Dionisio de Castro Cerqueira.

Contudo, quase nao se encontram correspondencias Exposicao sumaria Segundo o agente sanitario frances Georges Brousseau em missao ambigua no Calcoene ao mesmo tempo agente de saiide e enviado do governo frances no Contestado , foragidos do bagne de Caiena estariam associados ao bando de Cabral.

Um deles, Guilherm, um ex-oficial da Legiao Estrangeira, funcionaria como interprete e lideranca intimidadora junto a populacao de fala francesa. Ainda segundo Brousseau, a vila de Cunani estaria dividida em duas partes, uma ocupada por brasileiros e outra por franceses e mesmo durante o dia se 39 ouviriam disparos de fuzil. Cabral foi visto novamente em Cunani em outubro de , o que gerou protestos vindos de Paris e dirigidos a embaixada francesa no Rio de Janeiro.

Junto a Jose Pires, seu engenheiro de minas, Cabral teria ido com armas e municoes para construir rotas de acesso aos garimpos do Calcoene. O caso somente foi solucionado com a intervencao do governo federal. Novamente, desta feita em abril de , continuavam circulando as noticias sobre as atividades do grupo de Cabral com o recrutamento de baianos para a garimpagem do ouro no alto Cassipore: 60 homens num primeiro momento e homens ainda por vir.

O consul frances em Belem interpelou o governo do estado do Para para uma atitude energica contra Cabral, pedido ao que parece ter sido em vao Em fevereiro de , um novo caso de policia agitou a Administracao da Justica em Caiena.

O comissario Cazenave relatou o roubo de cinco bois praticado pelo que seria o comandante brasileiro oficial do Calcoene, Sr. O assunto foi levado para a embaixada francesa em Petropolis que o comunicou ao governo brasileiro. Vasconcellos nao passa de um aventureiro sem titulo, nem mandato, um NEGRO - provavelmente, que se intitula governador ou prefeito como Cabral ja disse ser Esse grupo faria propaganda ativa para atrair os Creoles da Martinica e de Guadalupe a pedir a protecao das autoridades do Brasil.

A prova maior dessa incursao estatal teria sido a instalacao de uma alfandega brasileira em Calcoene para os pagamentos dos direitos de entrada Enquanto isso, Paris e Rio de Janeiro faziam os preparativos necessarios para a criacao de uma comissao mista de gerenciamento do territorio enquanto nao fosse instalado um tribunal arbitral neutro para a solucao definitiva do litigio.

Na perspectiva das capitals, do governo central, os conflitos regionais eram minimizados como disputas locais de aventureiros insanos e bandidos armados, evitando assim, que pequenas rusgas nas disputas pelo poder local provocassem outro incidente de porte que obrigasse a uma intervencao armada. Brasil e Franca, enquanto nacoes ami gas jogaram uma politica imperialista que se resolveu atraves de um entrevero diplomatico; a guerra nao fez parte do repertorio conflitante de nacoes de longa tradicao em termos de troca intelectual, ou, melhor seria dizer, de influencia intelectual francesa sobre a elite brasileira.

Porem, la onde o territorio estava em jogo, onde o governo central encontrava-se distante, potentados locais faziam sua articulacao entre a milicia paramilitar armada e a SG Carton 6 E10 O interesse do Estado, nesse caso, correspondeu aos interesses dos governantes regionais que melhor articularam um auxilio publico junto as populacoes nativas no sentido de oferecer-lhes servicos e difundir a lingua patria numa terra cujo sentido da palavra patria era quase inexistente.

E nessa relacao com os habitantes ja estabelecidos, e nao com os temporarios, foi o estado brasileiro atraves das acoes do governo paraense que se fez mais presente, garantindo vantagens na arbitragem internacional que ainda estaria por vir no ano de Consideragoes finais Duas diferentes questoes nos parecem cruciais para elucidar o climax dos eventos ocorridos.

A primeira, fundamental, diz respeito as diferentes estrategias adotadas por ambos os paises, Brasil e Franca, e por suas respectivas burguesias em relacao as praticas imperialistas do seculo XIX, fator desencadeador dos conflitos. A burguesia francesa, empreendedora, usou de capitals disponiveis em seu pais e em outros, abundantes principalmente na Inglaterra, para dar curso a estrategia de expansao capitalista em areas fora do controle politico dos modernos estados nacionais.

O territorio contestado, com recursos minerals riquissimos, sem dono nem lei, permanecia, em tese, abandonado ao lado de uma colonia francesa ja existente, atendendo facilmente os objetivos burgueses do laissez faire.

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E era esta a grita francesa: pela convencao de , nos temos o direito de circular; pelas leis do mercado, nos temos o direito de empreender; pelas leis da Franca, nos temos o direito da assistencia do Estado a nossa livre iniciativa. E que resultado pode ocorrer quando esse tipo de mentalidade encontra uma populacao cuja forma de existencia nao esta regulada pelo modelo que Michel Foucault definiu como sendo o da biopolitica46; uma populacao cujo poder economico para empreender encontra-se ainda bastante limitado, e que, simultaneamente, esta submetida a tutela de um estado nacional independente como o brasileiro cuja governabilidade nao Usamos aqui o nome Octavie, conforme o estudo feito pelo biografo de Henri Coudreau: Benoit, Sebastien, Henri Anatole Coudreau Dernier explorateur frangais en Amazonie, Paris, L'Harmattan, Semanario publicado desde ; nessa edicao reproduz uma noticia extraida do Didrio de Noticias, de Belem.

Um conflito de interesses locais que, mascaradamente, logo se transformam em interesses nacionais. Na impossibilidade da populacao brasileira neste caso os moradores locais do Amapa e das areas vizinhas do Para competir com os franceses numa corrida capitalista pelo ouro, ela defendeu a unica coisa que para ela valia a pena lutar: a sua terra.

Ou, pelo menos, a posse sobre ela, porque nem ao menos a propriedade, juridicamente falando, ela detinha. Mesmo porque, a questao da propriedade em um estado aristocratico como o brasileiro era algo que nem podia nem devia ser motivo de reclamo de seus suditos. Por isso aparecera uma clivagem clara entre o discurso falando sobre a liberdade de circulacao presente na burguesia francesa empreendedora da mineracao, e o discurso dos que chegaram antes, do direito de pedagio pelo acesso cobrado por um povo que se estabeleceu na unica terra onde o seu pais de nascimento nao o enxotou, justamente por ser uma terra sem Estado.

E agora, chegavam esses estrangeiros causando confusao? E os estados nacionais como se comportaram ante essa disputa? A metropole francesa, preocupada com seu grande avanco colonial na Africa, mais lucrativo e mais proximo, procurou fazer de conta que nada tinha a ver com a historia das brigas no Contestado e do ato de guerra em Amapa, sendo essas atitudes isoladas do governo colonial e de burgueses arrivistas.

Ja o estado brasileiro continuou adotando uma velha estrategia imperialista que remonta ao periodo da America portuguesa. Trata-se de uma forma de conquista territorial que de fato nao e uma conquista na expressao de uma dominacao efetiva sobre o lugar e sobre seus habitantes como o termo conquista enseja. E uma forma de expansao territorial, mas, tambem nao pode ser confundida com a expansao do imperialismo capitalista do seculo XIX, pois este tinha um claro sentido de exploracao comercial do territorio conquistado.

Com o Brasil nao foi bem assim. As areas de estoque, ou de reserva, foram definidas por Antonio Carlos Robert de Moraes 48 como sendo os "fundos territorials ". E essa caracteristica da expansao colonial portuguesa continuou repetindo-se pelo vasto territorio brasileiro apos a independencia, seja durante o Imperio seja com a chegada da Republica.

A estrategia seguiu semelhante. Avanca-se em direcao aos sertoes, primeiro o oeste proximo, depois o centro-oeste, a fronteira amazonica, enfim, os ultimos rincoes da Amazonia. A marcha para o oeste, na apologetica obra de Cassiano Ricardo, ao contrario da conquista do faroeste norte-americano, dos colonizadores com suas carrocas enfileiradas levando a civilizacao puritana para ser radicada nas terras ignotas dos indios, e apenas uma marcha, cujo alcance e bastante passageiro, nao traz consigo o desejo da erradicacao permanente.

Definiu-se pela ampliacao e apropriacao continua do espaco. E com base nessa caracteristica especifica do imperialismo brasileiro que deve ser vista a diferenca de atitude do estado nacional na area em litigio. O governo do Para, no limite de suas possibilidades, financiou e incentivou a ocupacao do territorio, que, ambiguamente, nem foi o palco de uma colonizacao permanente, nem se prestou a uma empresa economica de exploracao de seus recursos naturais, caracteristica principal do interesse burgues europeu na regiao.

E assim que deve ser percebido o mito criado em torno de Cabral. Exaltado como heroi nacional pelos paraenses de Bel em, simbolizava o retorno do velho bandeirante destemido com sua espingarda e seus capangas caboclos avancando pelo territorio, enfrentando indios, Creoles e franceses.

O bando armado de Cabral cumpriu uma dupla missao. Na impossibilidade do Estado fazer valer militarmente sua soberania num territorio em conflito, seja por uma questao diplomatica, seja porque a Franca era uma nacao muito mais bem armada, Cabral agiu como se fosse o guerrilheiro defensor dos legitimos interesses patrios ameacados pela potencia estrangeira, por isso visto como caudilho pelos vizinhos do norte.

Por outro lado, ao se apresentar como o unico aventureiro brasileiro capaz de ingressar na area do Contestado para empreender economicamente sem ter que se associar a uma companhia mineradora estrangeira, Cabral protagonizou o recorrente carater individualista da aventura expansionista brasileira, carater esse criticado pelo disciplinado suico Emilio Goeldi.

Propaga-se entao um imaginario heroico que cumpre a funcao de mascarar o proprio fracasso. O Brasil pode nao ter tido um capitalismo desenvolvido como o da Franca, pode nao ter tido uma burguesia empreendedora como as francesas e inglesas, mas, pelo menos, teve bravos e corajosos horn ens que nao se deixaram abater ante o desafio.

De qualquer forma, se esses valores notaveis da bravura seriam rapidamente abracados por um Nietzsche, infelizmente, eles se tornaram incompativeis com o pragmatismo requerido pelo mundo burgues em transformacao desde fins do XIX; um mundo que exigia menos valentia e emocao e mais calculo e precisao de seus cidadaos.

Cabral projeta assim, um ideario patriotico, artificial, mas necessario nesses momentos de exasperacao das contendas. Apelar para uma hipotetica defesa de seu territorio e de suas gentes restou como unica estrategia possivel a uma nacao ainda incapaz de disputar comercialmente, na forma da moderna empresa capitalista, uma fatia desse mercado nascente.

Apesar de um tanto quanto anacronica, essa aposta na valentia de alguns poucos individuos, mostrou-se acertada durante a arbitragem internacional de cinco anos mais tarde. Para encerrar o entendimento sobre os desdobramentos do conflito do Amapa, a segunda questao apontada refere-se ao modo como esse tragico climax foi tratado, como seus efeitos foram diminuindo e como seus atores principals foram sendo expurgados.

Nas cartas, discursos e relatos vindos de Caiena, os termos usados para definir os brasileiros responsaveis pelos acontecimentos foram os de: bandidos, malfeitores, delinqiientes, marginais; e foi assim que foram tratados oficialmente pelos franceses. Idem, p. Novamente, o enfoque frances para a analise punitiva de individuos agindo no Contestado foi o fato de eles estarem agindo de acordo ou em desacordo com a lei. A perspectiva do Direito era a perspectiva do estado frances, da regulacao normativa sobre a vida, do modo moderno de se viver em sociedade.

Isto nao significa dizer que o estado de Direito e o cumprimento da lei seja uma garantia de justica, geralmente ocorre o contrario. A lei e imposta de modo arbitrario e, em regra atende a perpetuacao dos interesses da burocracia do Estado ou, no caso das relacoes trabalhistas, promove o interesse do Capital. Alem disso, nas colonias, a possibilidade de se burlar a lei criada na e para a metropole, tambem e muito maior.

Mas, do ponto de vista legal, a questao central para a Franca, na distensao do conflito no Amapa era a de poder julgar seus prisioneiros e a de nao aceitar terminantemente a presenca de marginais, no sentido de viverem as margens do direito, dos nao seguidores da lei, infelizmente da lei que na ausencia da soberania francesa nao podia ser aplicada. Ja, no caso brasileiro, seja nos artigos em jornais, nas charges, nas reclamacoes diplomaticas, ou, mais ainda, nas analises feitas pelos primeiros historiadores, o problema colocado partiu de um discurso com forte conteudo racista.

A pequena burguesia caienense que intermediava, via politica, os negocios da mineracao, e a grande maioria da populacao mineradora era composta de negros e Creoles. Os capitaes das vilas que seguiam o interesse frances eram negros ou pretos. A populacao favoravel a Franca era constituida de mocambistas escravos fujoes. O primeiro garimpeiro a ficar milionario, Clement Tamba, um negro ignorante. Como e possivel entao que sejam esses "pretos" a estarem a tomar conta do Amapa e enriquecer com o ouro de seu subsolo?

E os brasileiros, os seus antigos donos e senhores? Poderiam consentir com uma afronta como essa? A questao racial no Contestado, ate agora, nao foi trabalhada pela historiografia. Os bodes expiatorios do massacre de Amapa acabaram sendo todos eles negros.

Charvein foi deposto de seu cargo, Trajano nunca mais voltou ao Cunani. E o governo frances, sob o olhar da imprensa e do governo brasileiro no Para, como ficou? Pelos ditos, a poderosa e invejada Franca, nem sabia ao certo o que estava acontecendo, ela se tornara, para a imprensa paraense da epoca, apenas um joguete nas maos de alguns poucos crioulos. Assim, com os brancos governantes de paises civilizados retomando a conducao do poder, o derramamento de sangue nao mais continuou.

O Brasil desfez o exercito no Amapa e a Franca parou de apoiar negros insensatos como liderancas regionais. Uma Comissao Mista de Limites foi criada para solucionar de forma definitiva a contenda. A disputa da area litigiosa iria agora para o campo diplomatico numa batalha judicial a ser travada no tribunal internacional de Berna. A objetividade cientifica do geografo Vidal de La Blache contra a conversa habil do genio de Rio Branco.

Diplomata astuto e flexivel, mestre em retorica, ja ganhara uma causa anterior contra a Argentina. O Barao pesquisou o assunto durante dois anos, montou seus argumentos, juntou os livros de Joaquim Caetano e entregou tudo aos juizes.

No Tribunal fugiu do caminho que levava a geografia da regiao, terreno ardiloso para se enfrentar La Blache, ingressando no merito do povoamento anterior feito pelos Portugueses, suas missoes jesuiticas e exploracoes militares.

Percorreu o caminho das gentes da terra que o frances desconhecia. O mediador suico, Presidente Hauser, apos ouvir os argumentos do Barao, considerou aquelas terras mais brasileiras do que francesas e deu parecer favoravel ao Brasil. Desde dezembro de a fronteira franco-brasileira passou a ter como divisor o curso do rio Oiapoque.

Na pratica, porem, nao mudou muita coisa e durante as duas primeiras decadas do seculo XX, foi o patois trances falado pelos crioulos da Guiana, a lingua mais utilizada pelas populacoes habitantes daquelas selvas, desde os montes Tumucumaque ate o cabo Orange.

Para um aprofundamento da questao de limites entre o Brasil e a Franca na fronteira da Guiana, sugerimos consultar, entre outras, as seguintes obras: Rio Branco, Barao do, Questdes de limites. Guiana Francesa. Etude sur la Cartographie de la Guyane. Paris, Felix Alcan, Related Papers.Arthur Reis, o primeiro historiador brasileiro a se dedicar ao nascimento do Amapa enquanto unidade territorial autonoma analisou um conjunto de documentos manuscritos sobre o Contestado e seus conflitos, guardados no Instituto Historico e Geografico de Belem e concluiu: O Triunvirato autorizou a reacao armada dos brasileiros que se sentissem prejudicados na exploracao das minas pelos crioulos da Guiana Francesa.

Havia, entretanto, outros trabalhos, menos atrativos, demandados pelas empresas estrangeiras e pelo governo colonial.

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As grandes mineradoras la instaladas eram, de fato, sociedades abertas, consorcios anglo-franceses, cujo capital provinha de acoes lancadas na Bolsa de Londres, o mercado que nao reconhece nenhuma bandeira.

Amapa, vila protegida ao sul do Contestado ligada a atividade pecuaria, fundada e habitada por brasileiros de assumida nacionalidade, servia de acesso as minas de Tartarugalzinho. Ainda segundo Brousseau, a vila de Cunani estaria dividida em duas partes, uma ocupada por brasileiros e outra por franceses e mesmo durante o dia se 39 ouviriam disparos de fuzil.